
Presidente reeleito saiu de uma desvantagem de 2,2 milhões de votos no primeiro turno para uma vitória por 4,4 milhões no segundo. Petista alcançou votação recorde e cresceu mais do que a soma dos demais candidatos derrotados.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcada por uma combinação de fatores que alteraram o cenário eleitoral entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026. O aumento do comparecimento às urnas, a redução dos votos brancos e nulos e o crescimento da votação petista contribuíram para a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro turno, Lula terminou a disputa com uma desvantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos em relação ao adversário. No segundo, o resultado se inverteu, e o presidente venceu por cerca de 4,4 milhões de votos, uma mudança de aproximadamente 6,6 milhões na diferença entre os candidatos.
Com 100% das seções eleitorais apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, o equivalente a 48,21%.
Crescimento da votação de Lula
Entre os dois turnos, Lula conquistou aproximadamente 10,3 milhões de votos adicionais. O crescimento foi quase três vezes superior ao registrado por Flávio Bolsonaro, que acrescentou cerca de 3,7 milhões de votos à sua votação.
O avanço do petista também superou a soma dos votos obtidos pelos demais candidatos derrotados no primeiro turno. Juntos, os outros concorrentes receberam aproximadamente 9,3 milhões de votos, cerca de 1 milhão a menos do que o crescimento da votação de Lula.
Os números indicam que a transferência de votos dos candidatos eliminados não seria suficiente, isoladamente, para explicar o resultado. Outros fatores, como a participação eleitoral e a mudança na distribuição dos votos válidos, também contribuíram para o cenário do segundo turno.
Abstenção diminuiu no segundo turno
A participação dos eleitores foi outro elemento importante da disputa. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, segundo os dados apresentados no levantamento.
Com a redução, aproximadamente 2,83 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas. Ao mesmo tempo, o total de votos brancos e nulos caiu de 5,98 milhões para 4,15 milhões, uma redução de 1,83 milhão.
Somados, o aumento do comparecimento e a diminuição dos votos brancos e nulos ampliaram em aproximadamente 4,66 milhões o número de votos válidos disponíveis na disputa. Esse movimento contribuiu para a ampliação da votação dos dois candidatos, embora o crescimento tenha sido maior para Lula.
Minas Gerais registrou virada
Minas Gerais foi o único estado em que Lula conseguiu superar Flávio Bolsonaro no segundo turno, após terminar a primeira etapa da eleição atrás do adversário. O petista venceu no estado com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% do senador.
O desempenho mineiro acompanhou o resultado nacional e reforçou a importância do estado no cenário eleitoral brasileiro.
Apesar da disputa acirrada em Minas Gerais, Lula ampliou sua votação em todas as unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal, entre os dois turnos.
São Paulo teve o maior crescimento de votos
São Paulo registrou o maior aumento absoluto na votação de Lula. O presidente passou de 9.505.413 votos no primeiro turno para 12.119.274 no segundo, um acréscimo de 2.613.861 votos.
Minas Gerais aparece em seguida, com 1.162.163 votos adicionais para o petista. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de 872.372 votos.
Os números demonstram que o avanço da votação de Lula ocorreu em diferentes regiões do país, e não apenas em estados tradicionalmente associados a seu desempenho eleitoral.
Lula virou em 211 cidades
A mudança também ficou evidente nos resultados municipais. Lula reverteu a vantagem de Flávio Bolsonaro em 211 cidades nas quais o senador havia vencido no primeiro turno. Entre elas está a cidade do Rio de Janeiro.
Flávio, por sua vez, conseguiu inverter o resultado em apenas um município onde Lula havia terminado a primeira etapa à frente.
A distribuição dos votos entre os turnos evidencia a mudança no mapa eleitoral e ajuda a explicar como Lula transformou a desvantagem inicial em uma vitória nacional.
Com 64,2 milhões de votos, o presidente alcançou a maior votação já registrada por um candidato à Presidência da República no Brasil, consolidando o resultado de uma eleição marcada pela disputa acirrada entre os dois candidatos.
Fonte: G1.


