Senado aprova projeto que criminaliza a misoginia

de Návio Leão

O Senado Federal aprovou o projeto de lei que criminaliza a misoginia no Brasil. Com isso, a proposta amplia a legislação sobre crimes de discriminação e preconceito. Além disso, o texto inclui a aversão ou ódio contra mulheres entre as condutas puníveis.

Dessa forma, a medida equipara a misoginia a crimes relacionados à discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Assim, a legislação passa a prever punições específicas para esse tipo de prática.

Penas previstas incluem reclusão e multa

O projeto estabelece penas para diferentes condutas. Por exemplo, a injúria baseada em misoginia poderá resultar em reclusão de dois a cinco anos, além de multa.

Por outro lado, a prática, indução ou incitação à discriminação por razões misóginas terá pena de um a três anos de reclusão, também com aplicação de multa.

Relatora destaca avanço no combate à violência

A relatora da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), afirmou que o projeto fortalece o enfrentamento à violência contra mulheres.

Segundo ela, a misoginia está na raiz de diversas formas de agressão. Além disso, destacou que o problema ocorre com frequência, especialmente no ambiente digital.

Ainda conforme a senadora, a proposta ajuda a coibir discursos que defendem a superioridade masculina. Portanto, o texto atua na origem desse tipo de violência.

Plenário rejeita ressalva sobre liberdade de expressão

Durante a votação, alguns parlamentares sugeriram incluir uma ressalva para garantir a liberdade de expressão artística, científica, jornalística ou religiosa. No entanto, o plenário rejeitou o pedido.

Nesse sentido, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apoiou a decisão. Ele argumentou que a Constituição já assegura a liberdade de consciência, crença e pensamento.

Além disso, alertou que a misoginia cresce no Brasil e no mundo. Inclusive, segundo ele, pesquisas indicam aumento desse comportamento entre jovens. Por isso, o tema exige atenção.

Texto segue para a Câmara dos Deputados

Para evitar dupla punição, o projeto inclui uma emenda no Código Penal. Assim, o objetivo é diferenciar a injúria misógina daquela praticada no contexto de violência doméstica e familiar.

Por fim, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados.

Fonte: Rádio Senado

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