Por que abastecer o carro continua tão caro?

de Návio Leão

Se você sente o peso no bolso ao parar no posto, não está sozinho. Embora a Petrobras tenha reduzido o preço da gasolina nas refinarias desde dezembro de 2022, o valor ao consumidor seguiu o caminho contrário.

Nesse período, o preço da gasolina vendida às distribuidoras caiu R$ 0,51, o que representa 16,4%. No entanto, ao mesmo tempo, o valor médio nas bombas subiu de R$ 4,98 para R$ 6,33, uma alta de 37%. Na prática, encher um tanque de 50 litros ficou cerca de R$ 67,50 mais caro em três anos.

Entenda a composição do preço

O preço final do combustível envolve vários fatores. Veja como ele se divide:

  • 28,4% — Petrobras
  • 24,8% — Impostos estaduais
  • 19,3% — Distribuição e revenda
  • 16,4% — Etanol misturado
  • 10,7% — Impostos federais

Ou seja, os impostos somam 35,5% do valor pago pelo consumidor.

Impostos e distribuição pesam no bolso

Além disso, a recomposição de tributos impactou diretamente o preço. O fim da isenção de PIS/Cofins e o aumento do ICMS, por exemplo, adicionaram cerca de R$ 0,47 por litro. Como resultado, parte das reduções feitas nas refinarias acabou anulada. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a queda no preço para distribuidoras foi pequena. No último corte, por exemplo, a redução de R$ 0,14 resultaria em apenas R$ 0,06 a menos na bomba.

Perda de influência no mercado

Outro fator citado envolve mudanças no setor. Segundo a presidência da Petrobras, a privatização da BR Distribuidora reduziu o poder de influência da empresa sobre o preço final. Por isso, mesmo com reduções na origem, o consumidor ainda sente pouco alívio no bolso.

Resultado: combustível segue caro

Assim, a combinação de impostos, custos de distribuição e dinâmica de mercado explica por que o preço continua alto. Enquanto isso, o motorista segue pagando mais, mesmo quando há queda nas refinarias.

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