Papa Leão XIV alerta governos para desacelerar desenvolvimento da inteligência artificial

de Návio Leão

O papa Leão XIV publicou, nesta segunda-feira (25), sua primeira encíclica desde que assumiu o comando da Igreja Católica. O documento, intitulado “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”), aborda os impactos da inteligência artificial na sociedade, os riscos da desinformação, o avanço da automação no mercado de trabalho e o uso da tecnologia em guerras.

Com quase 43 mil palavras, a encíclica apresenta uma das manifestações mais contundentes do Vaticano sobre o avanço acelerado da inteligência artificial. O texto também pode ampliar tensões entre o pontífice e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante das críticas do papa ao fortalecimento do complexo militar-industrial e à concentração de poder nas mãos de grandes corporações privadas.

Papa critica concentração de poder tecnológico

Na encíclica, Leão XIV afirma que o avanço da inteligência artificial não pode ficar subordinado apenas aos interesses econômicos e militares. O pontífice defende uma regulamentação internacional mais rígida para controlar o desenvolvimento da tecnologia.

O papa também critica a concentração do poder tecnológico em grandes empresas privadas transnacionais. Segundo ele, essas corporações possuem capacidade de influência superior à de muitos governos, dificultando a supervisão pública e o direcionamento da tecnologia para o bem comum.

Ainda segundo o documento, a concentração tecnológica pode aprofundar desigualdades sociais, ampliar mecanismos de manipulação e criar novas formas de dependência. O pontífice reforça que princípios éticos isolados não são suficientes para enfrentar os desafios provocados pela inteligência artificial e defende marcos legais robustos e supervisão independente.

Alerta sobre guerras e militarização

Outro ponto central da encíclica é a preocupação com o uso da inteligência artificial em conflitos armados. Leão XIV afirma que a revolução digital está transformando a natureza das guerras modernas, incluindo ciberataques, manipulação de informações e automatização de decisões estratégicas.

O pontífice alerta que sistemas automatizados podem reduzir a percepção humana sobre os impactos da guerra e facilitar decisões militares mais agressivas. Ele também criticou o fortalecimento da indústria bélica global e o ressurgimento da guerra como instrumento da política internacional.

Leão XIV ainda defendeu restrições rígidas ao uso da inteligência artificial em operações militares e afirmou que decisões letais não devem ser confiadas a sistemas artificiais.

Desinformação e impactos sociais

A encíclica também relaciona o avanço da inteligência artificial à disseminação da desinformação e ao enfraquecimento das democracias. Segundo o papa, o compromisso coletivo com a verdade é essencial para preservar as instituições democráticas.

O documento ainda chama atenção para os impactos das plataformas digitais sobre crianças e adolescentes. O pontífice defende uma atuação conjunta entre governos, escolas e famílias para enfrentar os efeitos dos modelos de negócios que monetizam a atenção dos usuários.

Defesa dos trabalhadores diante da automação

Leão XIV também dedicou parte da encíclica aos impactos da inteligência artificial e da robótica no mercado de trabalho. O papa afirmou que o avanço tecnológico não garante automaticamente melhores condições de vida e criticou a substituição sistemática de empregos em busca de maior lucro.

Ao concluir o documento, o pontífice defendeu cooperação internacional para enfrentar os impactos sociais e econômicos da inteligência artificial, especialmente nos países mais vulneráveis.

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