Velomar sabia que era possível, foi lá e fez.

de Návio Leão

O aceite de uma emenda parlamentar, de autoria do deputado Gustavo Sebba, pelo prefeito de Catalão, Velomar Rios, movimentou a política catalana nesta semana. Houve reações de todos os lados. Alguns aplaudiram a decisão de pé. Outros condenaram a atitude de forma categórica.

Uns disseram: “Ele não precisava disso”. Outros afirmaram: “Ele fez o certo”. O fato é que Velomar deu uma demonstração clara de como pretende conduzir sua gestão.

O gesto carrega diferentes interpretações. Para quem acompanha a política com atenção, o movimento repercute tanto entre aliados quanto entre adversários. Quem quiser enxergar, verá. Dois pontos merecem destaque. O primeiro é que Velomar reforça sua coerência pessoal e política ao demonstrar disposição para o diálogo. O segundo é que, na política, toda decisão costuma ter um custo. Por isso, o tempo mostrará se haverá algum ônus para o prefeito.

Ao aceitar uma emenda destinada à compra de um aparelho de raio X para o Pronto Atendimento Infantil (PAI), Velomar avaliou que o interesse público deveria prevalecer. A atitude remete ao antigo ditado de que “adversário não é inimigo”. É verdade que muitos políticos pensam exatamente o contrário e tratam adversários como inimigos. No entanto, ao apertar a mão de Gustavo Sebba, Velomar sinalizou que existe outro caminho. Também contrariou aqueles que preferem fazer política movidos pelo ressentimento.

Outro aspecto importante é o posicionamento que o prefeito passa a ocupar, tanto dentro de seu grupo político quanto fora dele. Se alguns não o querem como aliado, outros podem enxergar nesse perfil uma alternativa para futuras composições políticas. Enquanto isso, a mãe que leva o filho ao PAI pouco se preocupa com quem destinou o recurso, quanto ele custou ou qual desgaste político provocou. O que ela deseja é encontrar o equipamento funcionando e garantindo atendimento à população.

O episódio também faz lembrar Haley Margon, amigo de Velomar Rios. Em 1972, após perder a eleição para Silvio Paschoal, Haley colaborou com a administração do adversário no que pôde. Talvez esse exemplo ajude a explicar a lógica por trás do gesto de Velomar: algumas atitudes justificam o risco quando o benefício coletivo é maior.

O aparelho de raio X está ali para atender a população. E o próprio povo saberá fazer o seu “raio X” da situação. Cada vez mais, os eleitores conseguem distinguir quem apenas faz discursos de quem entrega resultados concretos. Na hora da escolha, tendem a avaliar quem fez, o que fez e de que forma fez.

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

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