Daniel Nolasco, melhor diretor do Festival de Cinema de Brasília

de Návio Leão

O filme do cineasta catalano, Pequenas Tragédias, rodado em Catalão, ainda ganhou outros 5 prêmios, incluindo o da Abraccine.

O jornal Estado de São Paulo, em seu Caderno 2, destacou ontem (21):

“O ousado Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, recebeu o prêmio de diretor; Guilherme Theo, o de ator; e Aivan, o de coadjuvante, além dos prêmios de montagem e trilha sonora, levando também o troféu da crítica pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).”

Essa notícia deve encher de orgulho os catalanos. O Correio Braziliense, em seu caderno cultural, já quis saber dos diretores premiados quais são seus próximos projetos.

Daniel disse que fará um filme sobre um pistoleiro, seria “Cabeleira”?

Esse filme, segundo o diretor, ainda deve ser rodado em Catalão. Em entrevista ao podcast Olhar de Cinema, do Festival Internacional de Curitiba, Daniel disse que fará seu próximo filme em sua cidade natal, mas que esse será o último gravado em Catalão.

O dia que vi essa declaração, me perguntei: como pode ele anunciar o fim de um ciclo que sua cidade parece nem saber que ele existiu? Será por conta de sua temática queer?

Ou vai dizer que Catalão já viu Mr. Leather, Vento Seco, Apenas Coisas Boas?

Trata-se de um cineasta nascido e criado no interior do Brasil que, ao migrar para o Rio de Janeiro, se encontrou no mundo das artes audiovisuais, onde já tem um reconhecimento e, ao que parece, muito mais fora do que aqui.

Noticiamos nesse espaço, semana passada, a expectativa de premiação no Festival de Cinema de Brasília, e ela veio. E não só premiou o diretor catalano, mas seu filme em outras 5 categorias.

Que cinema é esse que Daniel faz e que a cidade parece não saber? Teria ela medo dele? Esse filme, premiadíssimo num dos festivais mais importantes do país (59ª edição), foi rodado em Catalão (como todos os outros de sua cinebiografia). Será exibido aqui?

Como se sente Daniel em relação à sua cidade natal? É aqui aquele lugar onde reside uma homofobia estrutural que sua tradição insiste em manter e já mostrada pelo diretor em suas películas? (Não resisti, eu sei que tudo que ele faz é no digital.)

Pequenas Tragédias escancara essa realidade que precisa ser debatida. A questão é: estaria Catalão pronta para esse debate?

Daniel fez e faz a parte dele. Agora é com a cidade.

Escrito por Návio Leão.

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