Obesidade supera sobrepeso entre adultos atendidos pelo SUS pela primeira vez

de Návio Leão

Pela primeira vez, o número de adultos com obesidade superou o de pessoas com sobrepeso entre os pacientes que procuram a atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do Ministério da Saúde, 11,1 milhões de pessoas vivem com obesidade. O número representa um crescimento de 259% desde 2016.

Além disso, a obesidade já atinge 36,4% dos adultos acompanhados pela rede básica. Em 2016, esse percentual era de 25,1%. Portanto, os dados mostram o avanço da doença no Brasil.

Qual é a diferença entre sobrepeso e obesidade?

O Índice de Massa Corporal (IMC) permite identificar as duas condições. Para calcular o índice, basta dividir o peso, em quilogramas, pelo quadrado da altura, em metros.

Nesse cálculo, o sobrepeso corresponde a um IMC entre 25 e 29,9. Já a obesidade começa quando o índice chega a 30.

Essa diferença merece atenção. Afinal, a obesidade é uma doença crônica e está associada a mais de 240 outras condições de saúde. Entre elas, estão alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares.

Obesidade avança nos estados brasileiros

O levantamento também revela um cenário preocupante nas unidades da federação. Atualmente, em 24 das 27 unidades, os adultos com obesidade já superam aqueles com peso adequado entre os pacientes acompanhados pelo SUS.

Nesse cenário, o Rio Grande do Sul apresenta a maior proporção de obesidade, com 42,6%. Além disso, em 18 estados, pelo menos 70% dos adultos acompanhados apresentam excesso de peso. Esse grupo reúne pessoas com sobrepeso e obesidade.

SUS enfrenta desafios no tratamento da doença

Apesar do avanço dos números, o tratamento da obesidade ainda enfrenta obstáculos na rede pública de saúde.

Segundo o presidente da Federação Mundial da Obesidade, o SUS precisa ampliar a oferta de medicamentos e capacitar profissionais de saúde. Além disso, o sistema precisa estabelecer um protocolo único para orientar o atendimento dos pacientes.

Atualmente, a cirurgia bariátrica atende principalmente aos casos mais graves. Por isso, muitos pacientes encontram dificuldades para iniciar o tratamento adequado. Mesmo quem consegue indicação cirúrgica ainda enfrenta longas filas de espera.

Tratamento da obesidade também é um desafio global

O problema também preocupa outros países. De acordo com o levantamento MAPS II, governos de diferentes partes do mundo oferecem pouco apoio financeiro ao tratamento da obesidade.

Na avaliação do estudo, as notas variam entre 1 e 3, em uma escala de zero a dez. Consequentemente, muitos pacientes precisam pagar pelo próprio tratamento.

Essa situação dificulta o acesso aos cuidados de saúde, principalmente para pessoas de baixa renda. Portanto, os dados reforçam a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção, diagnóstico e tratamento da obesidade.

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