NR-1 entra em vigor e amplia regras sobre saúde mental no trabalho

de Návio Leão

A nova redação da NR-1 entrou em vigor nesta terça-feira (26) e trouxe mudanças importantes para empresas de todo o país. A norma do Ministério do Trabalho e Emprego redefine diretrizes de saúde e segurança no ambiente laboral e amplia as obrigações relacionadas à saúde mental dos trabalhadores.

Agora, empresas precisarão identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais. Entre os principais pontos estão burnout, assédio moral, estresse e violência no ambiente de trabalho.

Apesar da mudança, o governo informou que o primeiro ano terá caráter educativo e orientativo. Ou seja, neste momento, a fiscalização não deverá aplicar multas imediatas.

Nova regra inclui riscos psicossociais

A NR-1 estabelece diretrizes gerais sobre saúde e segurança no trabalho no Brasil. Além disso, ela funciona como base para outras normas trabalhistas ligadas à proteção dos trabalhadores.

Com a atualização, a regra passa a incluir oficialmente os riscos psicossociais no GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).

O GRO corresponde ao processo de gestão voltado à proteção da saúde e segurança dos trabalhadores. Já o PGR reúne, de forma organizada, todos os riscos existentes no ambiente laboral.

Entre os fatores que passam a exigir atenção das empresas estão:

  • estresse ocupacional;
  • assédio moral;
  • burnout;
  • metas abusivas;
  • sobrecarga de trabalho;
  • conflitos interpessoais;
  • violência no ambiente laboral.

Segundo especialistas, o objetivo é fazer com que as empresas deixem de tratar a saúde mental como um tema secundário.

Empresas precisarão criar medidas preventivas

Com a nova redação, empregadores deverão mapear situações que possam provocar adoecimento psicológico. Além disso, precisarão adotar medidas concretas de prevenção.

Na prática, as empresas deverão avaliar fatores como:

  • jornadas excessivas;
  • pressão por metas;
  • excesso de demandas;
  • falhas ergonômicas;
  • ambientes hostis;
  • conflitos internos.

Além disso, o PGR deverá apresentar planos de ação com responsáveis, prazos e critérios de acompanhamento.

A norma também fortalece a participação dos trabalhadores e da CIPA na gestão de riscos. Da mesma forma, o texto prevê integração de medidas preventivas entre empresas que atuam no mesmo ambiente de trabalho.

Fiscalização passa a ter respaldo normativo

Inicialmente, as mudanças deveriam entrar em vigor ainda em 2025. No entanto, o governo decidiu adiar o início da fiscalização após dúvidas levantadas por empresas sobre a aplicação prática das novas exigências.

Agora, auditores fiscais passam a contar com respaldo normativo específico para verificar se os empregadores adotam medidas voltadas à saúde mental no trabalho.

Além disso, acidentes e casos de adoecimento ocupacional deverão passar por investigação interna, com análise das causas e revisão das medidas preventivas adotadas.

Fonte: Site Migalhas

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