
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 tem gerado reações entre representantes do comércio, dos serviços e do turismo. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao lado de suas federações e sindicatos filiados, defende que uma mudança nas regras da jornada de trabalho seja debatida com mais cautela e após o período eleitoral.
A entidade lançou uma campanha nacional com o lema: “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não.”
O objetivo é chamar a atenção dos senadores para os possíveis impactos da PEC que propõe o fim da escala 6×1. Segundo a CNC, uma alteração constitucional dessa magnitude precisa ser discutida com análise técnica, diálogo e responsabilidade.
Setor teme aumento dos custos
De acordo com a entidade, a economia brasileira enfrenta atualmente fatores como juros elevados, crédito caro e restritivo, endividamento das famílias e dificuldades enfrentadas pelas empresas.
O setor produtivo argumenta que uma mudança abrupta na jornada de trabalho poderia aumentar significativamente os custos operacionais das empresas. A preocupação é maior no setor terciário, onde grande parte dos trabalhadores atua no regime 6×1.
Segundo a CNC, os custos adicionais poderiam ser repassados ao consumidor final, contribuindo para o aumento dos preços. A entidade também alerta para uma possível redução de vagas formais e crescimento da informalidade.
CNC defende negociação coletiva
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que o setor não é contrário ao debate sobre o bem-estar dos trabalhadores, mas considera necessário avaliar com responsabilidade os impactos econômicos de uma mudança como o fim da escala 6×1.
A CNC defende que a readequação das jornadas de trabalho aconteça por meio de negociações e convenções coletivas. Para a entidade, esse modelo permite considerar as diferentes realidades de regiões e setores da economia.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 segue em debate no Senado Federal. Para representantes do comércio, dos serviços e do turismo, temas relacionados às relações de trabalho precisam ser analisados sem pressa e levando em consideração os impactos de curto, médio e longo prazo sobre empresas, trabalhadores e consumidores.
Fonte: Gerência Executiva de Comunicação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Gecom/CNC).


