
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) marcou para quinta-feira (24), às 15h30, o julgamento do dissídio coletivo de greve dos Correios.
Na última segunda-feira (21), o TST decidiu adiar o julgamento. Além disso, o tribunal deu 48 horas para as federações dos trabalhadores analisarem documentos apresentados pela empresa no processo. O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, decidiu interromper o julgamento. Segundo ele, os documentos chegaram ao processo na noite de sexta-feira (18) e no sábado (19).
O material inclui relatos e vídeos de trabalhadores dos Correios bloqueando a entrada e a saída de cargas e caminhões. Segundo o ministro, as federações e os representantes dos trabalhadores não tiveram tempo suficiente para analisar os documentos. Por isso, eles não conseguiram apresentar a defesa e o contraditório sobre o material dentro do prazo.
Discussão sobre a greve
A discussão sobre a possível abusividade da greve ganhou força após a relatora do caso, ministra Maria de Nazaré Rocha, apresentar seu voto. Segundo Vieira de Mello Filho, o sindicato poderá receber multa de R$ 200 mil caso o tribunal considere a paralisação abusiva.
Diante da apresentação dos novos documentos, o presidente do TST concedeu 48 horas para os presidentes das federações apresentarem suas manifestações. Assim, o tribunal reagendou o julgamento para quinta-feira (24), às 15h30. Enquanto isso, a greve dos Correios continua.
Um dos principais pontos de disputa entre os trabalhadores e a empresa envolve o plano de saúde. Sobre o tema, a relatora propôs manter a redação apresentada pelos próprios Correios. A proposta repete o que o tribunal já havia estabelecido no julgamento anterior.
Entenda a greve dos Correios
Os funcionários dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado em 10 de setembro. A Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares) aprovou a paralisação durante assembleias realizadas em diversas regiões do país. Segundo a Findect, a greve representa uma nova etapa da campanha salarial. As negociações entre trabalhadores e empresa terminaram sem acordo.
Além disso, a entidade aponta o plano de saúde como um dos principais pontos de impasse. Os Correios propuseram alterar sua condição de mantenedora do plano. Atualmente, a empresa responde pelos recursos financeiros, administrativos e estruturais necessários ao benefício.
Reestruturação financeira
A greve ocorre enquanto os Correios implementam um plano de reestruturação financeira para o período de 2025 a 2027. O crédito representa uma das frentes desse plano. Além da captação de recursos, o programa prevê medidas para reduzir despesas e aumentar receitas. A empresa também pretende vender ativos como parte da estratégia de reestruturação. Na apresentação do plano, os Correios estimaram uma redução anual de R$ 4,2 bilhões em despesas.
A empresa também projetou um aumento de R$ 1,7 bilhão em receitas. Além disso, estimou obter R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis. Entre as medidas previstas estão o PDV (Programa de Demissão Voluntária), a renegociação de contratos e passivos e mudanças no plano de saúde. O plano também prevê o fechamento de parte das agências dos Correios.
Prejuízo
Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Esse foi o quarto resultado anual negativo consecutivo da empresa desde 2021. Além disso, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões somente no primeiro semestre de 2026.


