União Europeia cria nova taxa sobre compras internacionais e afeta Shein, Temu e AliExpress

de Návio Leão

A União Europeia começou a aplicar, nesta quarta-feira (1º), uma nova tarifa sobre importações de baixo valor feitas por plataformas de comércio eletrônico, como Shein, Temu e AliExpress. A medida, apelidada de “nova taxa das blusinhas”, busca reduzir a vantagem competitiva de varejistas estrangeiras e reforçar a fiscalização dos produtos que entram no bloco.

Embora a regra não seja exclusiva para empresas chinesas, elas devem sentir os maiores impactos. Isso acontece porque concentram grande parte das vendas de produtos de baixo custo para consumidores europeus.

Como funciona a nova cobrança?

A nova legislação estabelece uma tarifa fixa de 3 euros por classificação aduaneira para encomendas que, até então, eram isentas de impostos quando tinham valor inferior a 150 euros.

Segundo autoridades europeias, a medida busca equilibrar a concorrência entre empresas locais e plataformas internacionais. Além disso, pretende reduzir o grande volume de remessas que chegam diariamente aos países do bloco.

Crescimento das importações motivou a decisão

A União Europeia adotou a nova regra após registrar um forte aumento nas compras internacionais.

Dados da Comissão Europeia mostram que o número de encomendas isentas de impostos passou de 1,4 bilhão, em 2022, para 5,8 bilhões, em 2025. Com isso, os sistemas alfandegários passaram a enfrentar uma pressão cada vez maior.

Além do crescimento nas importações, as autoridades afirmam que a antiga isenção favorecia as plataformas digitais em relação ao comércio tradicional europeu.

Fiscalização ficará mais rigorosa

Outro objetivo da medida é ampliar o controle sobre os produtos importados.

Inspeções realizadas em 2025 apontaram que mais de 60% dos itens analisados apresentavam algum tipo de irregularidade. Entre os principais problemas estavam a falta de documentação obrigatória, falhas na rotulagem e o descumprimento das normas de segurança exigidas pela União Europeia.

Além disso, a partir de novembro de 2026, importadores deverão fornecer informações mais detalhadas sobre as mercadorias. Dessa forma, as autoridades pretendem ampliar a rastreabilidade dos produtos e fortalecer o controle aduaneiro.

Compras podem ficar mais caras

Embora a legislação determine que a tarifa seja paga pelo importador, especialistas avaliam que parte desse custo poderá ser repassada ao consumidor final por meio do aumento dos preços.

Por outro lado, algumas empresas podem negociar com fornecedores para absorver parte das despesas e preservar a competitividade no mercado europeu.

A nova cobrança permanecerá em vigor até julho de 2028, quando a futura Autoridade Aduaneira da União Europeia assumirá o gerenciamento do novo modelo de tributação.

Plataformas começam a se adaptar

Após a entrada em vigor da medida, algumas empresas anunciaram mudanças em seus serviços.

A AliExpress informou que passará a exibir, antes da conclusão da compra, os valores das tarifas de importação e do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), quando houver cobrança.

Já a Amazon afirmou que a maior parte das encomendas destinadas aos consumidores europeus sai de centros de distribuição localizados dentro da própria União Europeia. Por isso, a empresa prevê impactos menores com a nova regra.

Até o momento, Shein e Temu ainda não divulgaram um posicionamento oficial sobre a nova tarifa.

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