O que ainda pode ser decisivo para os candidatos na reta final da eleição?

de Návio Leão

A duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) permanece tecnicamente empatada nas principais pesquisas.

No levantamento mais recente do Datafolha, divulgado em 17 de setembro, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 36%. No segundo turno, o cenário também é de empate técnico: 46% para Lula e 44% para Flávio, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Com o eleitorado ainda em movimento, alguns segmentos ganham atenção especial das campanhas nesta reta final. Entre eles estão os eleitores que não se identificam diretamente com os dois principais polos políticos, os evangélicos, as mulheres, os eleitores com 60 anos ou mais e o eleitorado do Sudeste.

Eleitores que não se identificam com os dois polos

O eleitorado que não se declara alinhado ao lulismo ou ao bolsonarismo continua sendo um grupo relevante na disputa. Na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, entre os eleitores que não se identificavam nem como petistas nem como bolsonaristas, 34% indicavam Lula e 38%, Flávio Bolsonaro. O levantamento também mostrou que eleitores de outros candidatos poderiam se dividir entre os dois principais nomes em um eventual segundo turno.

Esse segmento pode ganhar importância à medida que a eleição se aproxima, principalmente entre os eleitores que ainda avaliam mudar de voto ou não definiram sua escolha.

Evangélicos

Os eleitores evangélicos formam outro segmento de forte contraste entre os dois candidatos.

Na pesquisa Datafolha de 17 de setembro, Flávio Bolsonaro registrou 48% das intenções de voto entre os evangélicos, enquanto Lula apareceu com 26%. Na semana anterior, o senador havia registrado 50% contra 22% do presidente.

O grupo também esteve no centro das estratégias das campanhas ao longo dos últimos meses. O caso envolvendo o filme “Dark Horse” e as investigações relacionadas ao financiamento da produção foram acompanhados de perto no ambiente político.

Mulheres

As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro apto a votar em 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São mais de 83 milhões de eleitoras.

No Datafolha de 17 de setembro, Lula tinha 41% das intenções de voto entre as mulheres, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o cenário era mais equilibrado: 39% para Flávio e 37% para Lula.

Por representar a maioria do eleitorado e apresentar diferenças relevantes entre os candidatos, o voto feminino permanece como um dos principais focos das campanhas nesta etapa da eleição.

Eleitores com 60 anos ou mais

Outro grupo de atenção é o eleitorado com 60 anos ou mais. No levantamento mais recente do Datafolha, Lula registrou 43% das intenções de voto nessa faixa, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 33%. A margem de erro específica do segmento, porém, é maior do que a da pesquisa nacional.

Além disso, o número de eleitores idosos cresceu nos últimos anos. Dados do TSE mostram que as pessoas com mais de 60 anos representam 23,6% do eleitorado de 2026. Entre os maiores de 70 anos, o voto é facultativo.

Sudeste

O Sudeste também aparece como uma região central na disputa. O bloco reúne cerca de 42% do eleitorado brasileiro. Na pesquisa Datafolha de 17 de setembro, Flávio Bolsonaro tinha 37% das intenções de voto na região, contra 35% de Lula, configurando empate técnico dentro da margem de erro. O cenário também apresentou oscilações entre as diferentes rodadas da pesquisa.

Os levantamentos estaduais mostram ainda diferenças importantes dentro da própria região. Em Minas Gerais, por exemplo, pesquisas recentes apontaram uma disputa que também envolve outros candidatos, enquanto em Goiás o governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece numericamente à frente em levantamento citado pela Folha, em empate técnico com Flávio Bolsonaro.

Reta final

Com 13 dias até o primeiro turno, os números mostram uma disputa aberta e com diferenças pequenas entre os dois principais candidatos nas pesquisas nacionais.

As próximas duas semanas devem concentrar debates, propaganda eleitoral, mobilização de bases e tentativas de conquistar eleitores que ainda não definiram completamente sua escolha ou que admitem mudar de voto.

Os levantamentos, porém, representam retratos do momento em que foram realizados e não determinam o resultado da eleição. A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro.

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